Uma das questões mais recorrentes quando falamos sobre sistemas integrados de energia solar fotovoltaica é sobre a possibilidade de faltar luz no imóvel da instalação. É natural que façamos a associação automática entre a produção de energia elétrica e seu armazenamento, mas não são todos os sistemas fotovoltaicos que possuem essa funcionalidade. Vamos entender melhor se é possível ou não faltar a luz tendo um sistema integrado em seu imóvel.

A maior dúvida acerca desse tema está na preocupação com o fornecimento de energia para residências. Entretanto, também existem indústrias, comércios e produtores rurais que questionam sobre a possibilidade de terem suas produções interrompidas ou desaceleradas por um problema na oferta da energia elétrica quando ela é produto de um sistema fotovoltaico. A resposta para a questão depende do tipo do sistema que é instalado, que pode ser on-grid (conectado à rede de abastecimento), off-grid (sistema independente e isolado) ou de modelo híbrido.

Os três modelos contam com os mesmos painéis fotovoltaicos, mas o que muda é o destino da energia produzida pelos módulos, isto é, a maneira como o sistema trabalha com o que produz e se ele leva mais algum equipamento, como baterias, por exemplo. Vamos compreender como cada um funciona.

O sistema on-grid (ou grid tie)

Esse sistema é o mais comum nas instalações em residências ou em imóveis urbanos. O on-grid nada mais é do que os módulos solares convencionais e todo o seu sistema conectados diretamente à rede de abastecimento da concessionária local. Com ele, toda a energia produzida é direcionada ao imóvel para uso imediato.

Portanto, o excedente de energia produzido ali será encaminhado para a rede da concessionária de energia, que irá gerar créditos para o consumidor. Os créditos conseguidos podem compensar o consumo no período da noite, quando não há produção de energia, ou abaterem valores de outras contas que estão na mesma titularidade do imóvel produtor.

Vale lembrar que, para isso, é necessário que os imóveis consumidores dos créditos devem estar abastecidos pela mesma concessionária. Assim, é possível fazer a transferência de créditos excedentes de um imóvel para o outro.

Enfim, como o sistema on-grid não possui um método de armazenamento próprio de energia e está conectado à rede local, quando houver falta de abastecimento ele também será afetado. Isso ocorre porque não há um método que armazene e distribua enquanto não houver produção, como é possível em outro modelo que veremos a seguir.

Por outro lado, nos centros urbanos, o sistema on-grid ainda é um dos mais populares e de melhor aceitação na instalação por estar em área de cobertura de concessionárias de energia.

O sistema off-grid

O modelo off-grid, também conhecido como isolado, é um sistema fotovoltaico composto pelos mesmos módulos que o anterior. Entretanto, o off-grid possui um sistema integrado com baterias capazes de armazenar o que é produzido pela irradiação solar durante o dia.

Desse modo, quando não há produção de energia solar, o imóvel com esse sistema consome o que está armazenado nas baterias a qualquer momento. Por conta disso, o sistema off-grid costuma ser comum em residências em lugares remotos, onde não há abastecimento por uma distribuidora local.

Assim sendo, como ele sequer é conectado à rede e possui uma maneira de estocar a produção, não há risco de falta de luz no modelo off-grid.

Antes de mais nada, é importante que a dimensão do sistema esteja de acordo com a demanda de consumo do imóvel atendido. Ou seja, o sistema precisa ser de tal tamanho que produza o necessário para o consumo durante os períodos de irradiação e os de ausência de luz solar.

Assim, a energia gerada neste modelo também pode ser consumida durante à noite ou até mesmo em dias nublados, quando a geração é muito baixa ou quase nula. Para entender melhor como a irradiação solar é transformada em energia, leia mais aqui (INSERIR LINK DA PRIMEIRA MATÉRIA QUE EU ESCREVI).

O modelo híbrido

Quando analisamos o termo “híbrido” no uso de tecnologias, sabemos que ele é utilizado para designar a mistura entre duas tecnologias, sendo, via de regra, uma mais antiga e outra mais recente. A ideia dos híbridos é fornecer a transição entre um sistema para outro já mostrando que, no futuro, um poderá ser substituído pelo outro ou surgirá uma terceira via.

No caso dos modelos de sistemas de energia fotovoltaica não é diferente, mas este híbrido já é a terceira via tecnológica que está vindo para substituir os outros modelos on-grid e off-grid.

Assim como nos modelos on-grid e off-grid, o híbrido também comporta a mesma constituição de painéis solares que captam a irradiação durante o dia. Porém, o seu diferencial está no fato de que é um sistema conectado à rede da distribuidora e possui, ao mesmo tempo, um complexo de baterias que armazenam o excedente.

Deste modo, quando falta a luz no modelo híbrido de energia solar fotovoltaica, o imóvel não fica sem abastecimento de energia elétrica. Isto é, quando há falta de distribuição de energia pela concessionária, o sistema começa a utilizar o que foi armazenado pelas baterias internas.

Ainda assim, é possível acumular créditos com a concessionária local, fazendo uso do mesmo modelo de créditos que ocorre com o sistema on-grid. O híbrido possui, portanto, duas funções além de produzir a energia para o consumo no imóvel. São elas:

● a de injetar a energia produzida em excesso na rede da distribuidora local;
● a de injetar a energia excedente nas baterias de armazenamento.

É a junção do on-grid com o off-grid com o melhor da tecnologia.

No futuro próximo, esperamos que esse sistema esteja mais popularizado e comum, além de ser devidamente regulamentado com as orientações da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Qual o modelo ideal para o meu imóvel, afinal?

Após conhecer os três tipos de modelos dos sistemas solares fotovoltaicos e a maneira como distribuem a energia produzida, você pode se questionar qual seria o ideal para o seu imóvel.

O híbrido, como essa terceira via tecnológica, promete ser a inovação que seguirá para o futuro por conseguir unir o melhor dos dois universos. Além de toda a modernidade, ele garante maior independência e autonomia ao consumidor. Mas ainda existem casos em que é melhor utilizar os sistemas off-grid ou on-grid.

A escolha do melhor sistema dependerá da localização do imóvel, das suas necessidades e do espaço para a instalação. Por isso, cada caso é único e a melhor opção é sempre consultar um especialista.

E os blecautes?

Quem viveu no início dos anos 2000 certamente se recorda dos inúmeros blecautes que se tornaram parte da rotina de qualquer brasileiro com a Crise dos Apagões. Entre os anos de 2001 e 2002, devido à escassez de chuvas, o nível de água nas usinas hidrelétricas ficou abaixo do aceitável e, assim, começaram a surgir os cortes forçados de energia elétrica principalmente nos grandes centros urbanos.

Para além da falta de chuva, a principal responsável pelos apagões daquela época era a nossa matriz energética brasileira pouco diversificada e, consequentemente, muito dependente de uma fonte única e finita. À época também ficaram famosos os racionamentos de energia elétrica e as bonificações para quem cumprisse com a meta de consumo elétrico.

Entretanto, após a crise dos apagões, houve um grave prejuízo à economia devido aos cortes energéticos. Indústrias tiveram sua produção reduzida, comércios foram prejudicados e até eletrodomésticos de residências foram danificados. Vale ressaltar que, naqueles anos, éramos muito menos dependentes da energia elétrica do que somos hoje. Basta que fiquemos trinta minutos sem energia elétrica para nos sentirmos prejudicados.

Na tentativa de sanar a pouca diferenciação de nossa matriz energética, ainda em 2001, o governo federal investiu na construção de usinas termelétricas. Tais usinas não dependem das águas, mas possuem como principais combustíveis o carvão, o gás e o óleo.

Além de utilizarem combustíveis fósseis, as termelétricas são altamente poluentes e danosas para o meio ambiente, não somente explorando minerais, mas também emitindo gases tóxicos na atmosfera com a queima dos combustíveis.

A matriz energética brasileira nos dias de hoje

De fato, de lá para cá os blecautes se tornaram muito mais escassos e quase inexistentes nos grandes centros urbanos, mas isso não significa exatamente que estamos no caminho para uma variação sustentável e eficiente da nossa matriz energética.

Além disso, menos de 1% das residências no Brasil produzem a sua própria energia elétrica através de sistemas fotovoltaicos. Isso significa que a maioria da população brasileira segue dependente das concessionárias de energia elétrica para poderem ter a produção e o seu fornecimento entregues.

É importante lembrar que estar dependente energeticamente da rede de distribuição não significa apenas ter o seu abastecimento ou não, mas ser refém das inflações tarifárias com seus preços abusivos. Isto é, quanto mais os preços da energia elétrica sobem, mais economia os produtores de energia pelos sistemas fotovoltaicos terão.

Em busca da autonomia energética

Ainda assim, mesmo com o menor número de blecautes, podemos sofrer com cortes de energia programados ou não. Isso tudo sabendo que a nossa matriz energética não é nada sustentável e os preços por ela estão cada dia mais abusivos.

Deixar o sol trabalhar para você e sem produzir qualquer ruído ou poluentes está muito além de economizar na conta de energia elétrica. Instalar um sistema solar fotovoltaico na sua propriedade é fazer um consumo inteligente, pensado no futuro e livre dos abusos das bandeiras tarifárias que só crescem. Repense o seu consumo! A natureza e o seu bolso agradecem.

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